Inicial | Agenda | Artigos e notícias | Cadastro | Cursos | Fotos | Contato 

Pontos de mergulho
Integrantes
Depoimentos
Glossário
Vídeos


Hipertensão e Mergulho


A população de mergulhadores apresenta a mesma prevalência de hipertensão que a população em geral. Ela tem a mesma probabilidade que a população em geral de ter ou vir a ter hipertensão. O mesmo supomos acreditar ser válido para o estilo de vida, incluindo o excesso de peso, o alcoolismo e também a baixa prática de exercícios físicos.

Como hipertensão é uma doença muito prevalente, ela é uma das condições médicas mais comuns na população de mergulhadores. Um estudo epidemiológico realizado pelo Dive Alert Network (DAN) sobre a prevalência de doenças no mergulho recreacional evidenciou que a hipertensão é a doença mais prevalente, chegando a 9,7 % da população estudada. Salientamos que esse estudo apresenta limitações em função da metodologia que pode superestimar a incidência da hipertensão na população de mergulhadores. Além disso, não sabemos se a população que pratica mergulho recreacional é, em termos epidemiológicos, semelhante à população em geral.

A hipertensão também pode ser diagnosticada durante a avaliação médica para a prática do mergulho. Pode ocorrer também que o candidato a mergulhador já saiba que é portador de hipertensão e queira saber se poderá ou não mergulhar. Além disso, o mergulhador poderá vir a desenvolver, já como mergulhador formado e praticante, hipertensão ao longo da vida. Ressalvamos que não é o caso de que ficou hipertenso como consequência da atividade de mergulho. Nesses casos, a hipertensão poderá ser primária como uma consequência das suas características genéticas associadas ao seu estilo de vida. Ela também poderá surgir secundariamente como consequência de uma outra doença que, na sua evolução ou quadro clínico, leve à hipertensão.

Atualmente há evidências de que a pressão arterial tende a se elevar com a idade. Isso se torna relevante à medida que, atualmente, podemos observar cada vez mais pessoas de mais idade praticando ou buscando aprender o mergulho autônomo amador. Nesses casos, os mergulhadores e candidatos à prática do mergulho autônomo têm de controlar a pressão arterial antes praticar a atividade.

Hipertensos em uso de certos medicamentos para o controle da pressão alta devem ser previamente submetidos à avaliação médica especializada para poder mergulhar. Estando a pressão controlada, as maiores preocupações relacionam-se com os efeitos adversos da medicação, os danos aos órgãos-alvo e a relação das disfunções destes com a atividade de mergulho.

No Brasil, não há regulamentação em relação à hipertensão e ao mergulho recreacional. Aliás, não há regulamentação para qualquer problema médico específico em relação ao mergulho amador. Nessas situações, cabe ao médico somente fazer recomendações. Salientamos que países como o Reino Unido, França e Austrália apresentam regulação específica em relação aos problemas de saúde relacionados ao mergulho recreacional. Provavelmente, isso tem relação não só com o fato de possuírem sistemas de saúde de excelente nível de organização, mas também com a experiência dessas nações em relação a um maior número de acidentes de mergulho e um melhor registro dos mesmos, bem como com a preocupação com medidas preventivas.

Posições diferentes são mantidas em relação às recomendações feitas ao candidato a mergulhador amador que é hipertenso e ao mergulhador experiente que vem tornar-se hipertenso. No mergulho autônomo amador há uma certa liberalidade controlada. Acreditamos que mergulhadores que apresentam um bom controle da pressão arterial sem uma diminuição do desempenho em resposta ao esforço físico, em baixo d’água, decorrente de efeitos adversos de medicações, poderão estar aptos a mergulhar. Consultas médicas regulares objetivando o controle e a prevenção de danos secundários da hipertensão em órgãos-alvo a longo prazo são recomendadas.

No mergulho comercial, pelo tipo específico de atividade que envolve riscos, cuja exigência física é maior, há um consenso de que qualquer doença orgânica cardíaca deve ser causa de proibição para esse tipo de mergulho até que o candidato ou mergulhador seja avaliado por um cardiologista e esse considere o caso sem risco cardíaco. São avaliações rigorosas em que o médico lança mão de exames laboratoriais sensíveis, específicos e de alto valor preditivo para detectar qualquer alteração do coração e sistema circulatório que o coloque em risco hemodinâmico, ou seja, que identifique qualquer problema capaz de alterar o débito cardíaco e que ponha em risco a própria vida do mergulhador, da sua dupla de mergulho e de toda uma operação de mergulho. Sucintamente, em relação à hipertensão nesse tipo de mergulho, não pode haver qualquer dano em órgão-alvo provocado pela hipertensão, capaz de prejudicar o desempenho cardíaco. A literatura técnica especializada coloca que a pressão de repouso não pode ser maior que 140 mm de mercúrio de sistólica ou de 90 mm de mercúrio de diastólica. Além desses parâmetros gerais, há de se considerar a legislação trabalhista específica do setor relacionada à medicina do trabalho. Cabe lembrar que o tratamento desse tema foge dos objetivos deste texto.

Concluindo, poderá praticar mergulho recreacional aquele que apresentar hipertensão leve, sem evidências de dano em órgão-alvo (coração, vasos, cérebro, retina e rins), sem fatores de risco excessivos para doença cardíaca isquêmica, com adequado controle: preferencialmente com dieta pobre em sal, controle de peso, exercício físico. Se o controle da pressão necessita do uso de medicação anti-hipertensiva, a escolha da medicação deve ser compatível com o mergulho. Em caso de uso de medicação, a avaliação cardiológica aprofundada com testes laboratoriais é necessária para que seja bem documentado que o uso da medicação não compromete o desempenho cardíaco. 



Fonte: http://www.brasilmergulho.com/port/artigos/2004/00
2008 © MT Dive | Todos os Direitos Reservados | Desenvolvido por Sorriso Web